|
|
A sensação de ardência na boca é uma enfermidade que causa desconforto, perturbação do humor e, algum desespero.
Os pacientes mais atingidos são do sexo feminino e, as idades mais abrangidas são as dos 50 ou mais anos. Talvez seja por isso que a literatura nos aponta como sendo uma das causas importantes a redução de estrogénio, factor quase sempre presente na sintomatologia da ardência da boca.
Este tipo de enfermidade apresenta-se-nos sem manifestações clínicas existentes. Só o queixume provocado pelo sofrimento físico e mental é visível; exceptuamos aqui a associação de xerostomia (boca seca), essa sim, em casos avançados já é detectada muitas vezes pela falta de fluído e fluidez da saliva, ou quando nos deparamos com alterações visíveis nos tecidos internos da boca.
Esta síndrome da ardência ainda precisa de mais estudos, mais informação, e de muitos mais diagnósticos concludentes.
A nossa prática dentro do gabinete diz-nos que o paciente enfatiza ser a origem do problema uma causa local logo, de fácil resolução. Que a escolha do dentista como primeira observação dos sintomas seja prudente para que se verifique inclusive a erosão dentária associada e outros, tudo bem, agora também deverá prudente saber aceitar, por parte do paciente, o reencaminhamento para outras especialidades, caso se verifique essa necessidade.
Estes sintomas de ardência podem muitas vezes ter origem sistémica isto é, carência nutricional de ferro e vitaminas; aviso sobre diabetes ou alterações na Tiróide...
|
Relembro as mulheres na fase pós-menopausa, para que não se esqueçam do acompanhamento médico na consulta da menopausa, independentemente de se ter ou não estes ou outros sintomas. A ausência de estrogénios provoca uma irreverência e uma instabilidade física e emocional, origina desconforto com consequências que podem vir a necessitar de intervenção médica. A prevenção é a atitude mais responsável, basta ver que não é possível reconhecer simplesmente uma única causa mas sim a presença de vários factores que interagem mascarando ou ofuscando a origem etiológica.
Em todos os casos de ardência na boca há que manter sempre o bom-humor e evitar bochechos ou gargarejos com elixir antes da consulta, pois estes podem ser contra-indicados e vir a causar ainda maior desconforto. Evitar também a ingestão de ácidos como o vinagre, os citrinos, os sumos comerciais, as bebidas alcoólicas, os picantes; pois tudo isto são causas contrárias ao PH neutro da boca que, por sua vez, provocam ainda mais irritação nos tecidos epiteliais.
A tranquilização nestes casos é fundamental, basta ver que não se trata aqui de doença maligna. Ainda que impertinente, como é o caso duma senhora que só passados 19 anos voltou à nossa consulta e que, segundo ela, passou 11 anos a sofrer em silêncio de sintomas de ardência na boca.
Para todos os casos, enquanto se estuda a causa ou as causas, há que hidratar com protecção básica (alcalina) já que é o que de melhor se pode fazer em casa. O leite na boca cobre estas necessidades de hidratação ao mesmo tempo que protege as mucosas da acidez e ajuda o desconforto.
INÍCIO
|
BRANQUEAMENTO DE DENTES
|
O branqueamento de dentes é um processo bastante utilizado na nossa sociedade devido à estética dental branqueadora que se adquire no final do tratamento.
Existem várias opções de branqueamento. Essencialmente vamos lembrar um e falar do outro processo. Um é aquele que é feito no gabinete com a utilização de luz própria, e o outro é aquele que é realizado em casa pelo próprio paciente. É neste ultimo processo que nos vamos demorar um pouco.
Para além da estética, temos verificado em alguns pacientes bastantes melhorias no seu estado geral das gengivas. Estamos a falar concretamente de pacientes fumadores cujas gengivas se encontravam em verdadeiro estado de degradação. Não é que o branqueamento seja solução, mas que é afirmativamente uma boa ajuda devido à estimulação provocada pela oxigenação, aí temos nós a certeza que sim.
Neste processo realizado em casa e numa primeira consulta, o paciente vai ao seu dentista para que lhe sejam efectuados moldes, a fim de lhe serem confeccionadas as moldeiras exactamente ajustada aos seus dentes (não estamos a falar sobre a técnica de preparação mas de informação geral).
Numa segunda consulta, o paciente vai receber o kit branqueador com as moldeiras, e todas as instruções de procedimento.
Normalmente no nosso gabinete costumamos usar um Kit que, se aplicado de manhã e à noite, 15 dias são necessários; com uma duração de 30 minutos por aplicação, para que se obtenham os resultados pretendidos.
Exigências
Primeiro que tudo os dentes devem estar bem escovados (lavados) por dentro e por fora. A utilização da fita dental para o efeito não é imprescindível, mas para uma perfeita higiene oral é obrigatória.
Exemplificação
A moldeira está devidamente preparada para que lhe seja aplicado o produto conforme ilustração. Aplicar sempre e só a quantidade necessária para evitar transbordos em demasia. |
|
A colocação da moldeira nos dentes é simples como podemos ver na figura. Logo que esta esteja perfeitamente inserida, e com os dentes cerrados, passar uma escova ou o dedo para retirar algum excesso que possa existir fora da moldeira. Tanto nos dentes de cima como nos de baixo.
|
INÍCIO
|
30 minutos depois da aplicação é chegado o momento de retirar as moldeiras.
Passar de seguida os dentes por água e também as moldeiras de maneiras a que estas fiquem em perfeitas condições higiénicas de voltarem a ser usadas.
|
Excepcional comparação em 15 dias.
Dentes superiores branqueados e dentes inferiores ainda por branquear.
|
|
Depois das primeiras aplicações é normal sentir-se uma pequena sensibilidade dentária; se for pequena o tratamento deve continuar, se for algo incomodativo tipo alergia, contactar imediatamente o clínico responsável pelo tratamento ou, em caso de impossibilidade, interromper o tratamento até que o contacto com o dentista se possa realizar, a fim de se receberem instruções.
O dentista é, por natureza da profissão, um amigo pronto a ajudar.
FUNCIONAMENTO DOS AGENTES BRANQUEADORES
O escurecimento dos dentes é consequência da formação de estruturas químicas estáveis que, por sua vez aderem aos dentes fazendo com que resultem manchas nas coroas destes.
O mecanismo de branqueamento resulta da oxidação dessas estruturas químicas, cujo processo químico actua nos materiais orgânicos (compostos de carbono), com a finalidade de os converter em dióxido de carbono e água.
Como estamos vendo, estes pigmentos são compostos de cadeias carbónicas longas que, quando quebradas, passam a cadeias menores de cor mais clara.
Durante o branqueamento as cadeias de carbono são transformadas em CO2 e H2O, sendo estes gradualmente libertados em conjunto com o oxigénio aí existente.
Nota:
O ponto de saturação é o momento em que ocorre a culminação máxima do branqueamento. A partir deste ponto o branqueamento está feito e a interrupção do tratamento impõe-se. Mais, se se insistir na continuação da terapia, o agente branqueador começa a actuar em outros compostos que apresentam cadeias de carbono, como é o caso das proteínas da matriz do esmalte. Daí a necessidade em se saber quando parar com o branqueamento evitando perdas essências das estruturas dos dentes.
Siga ordeiramente as orientações do seu dentista e anote: todo o excesso se torna tóxico. Até a nossa informação, ainda que útil, se em demasia, pode tornar-se tóxica.
Fica assim por falar dos dentes despolpados ou desvitalizados por que, têm mais a ver com a técnica e menos com informação geral.
|
MsoNormal" align="center" style="text-indent: 8px; margin-top: 0; margin-
|
C Á R I E D E N T Á R I A
A cárie dentária é uma das doenças mais frequentes da boca e, a causa é devida a uma higiene imperfeita dos dentes. As bactérias são os agentes causadores dessa hecatombe dental.
INTERACÇÃO
As ditas bactérias existentes na boca aderem ao dente, imperfeitamente lavado, formando uma camada incolor, que dá origem à chamada placa bacteriana. Os restos de alimentos que ficam na boca e, que não são devidamente eliminados com a escovagem, passam a ser o alimento necessário para essas bactérias. Entre todos os alimentos, os açúcares são o manjar de eleição e, na sequência da sua transformação, um dos produtos finais do seu metabolismo são os ácidos. Esta degradação é tão rápida que, cinco minutos depois de comermos, já se detectam cifras de ácido láctico na cavidade oral. Ora tudo o que é ácido é contrário ao que é básico. E como a constituição dos dentes é calcária logo, o ácido como agente predominante na acção, actua através da chamada desmineralização dentária.
Este processo com o tempo vai destruindo o esmalte do dente numa primeira fase; penetra na dentina numa segunda fase; e afecta a constituição nervosa do dente numa terceira fase.
|
Na primeira fase podemos ver a olho nu, riscos escuros numa ou em mais faces do dente, ou simplesmente manchas provenientes da desmineralização.
|
.
|
Esta primeira fase é considerada de grande importância, pois mesmo sem a existência de dor, existe uma avaliação que precisa ser feita face à destruição do esmalte do dente.
|
.
|
|
Na chamada segunda fase, já temos infiltração das bactérias dentro da dentina. Aqui começam as sensibilidades ao quente e ao frio, e o tempo por vezes é escasso para uma recuperação bem sucedida em ordem à afectação do nervo.
|
|

Na terceira fase o nervo já está afectado e duas soluções lhe cabem: ou a pulpectomia parcial ou a pulpectomia total explicada mais em baixo no tema Endodontia.
Nesta figura que mostramos sobre a 3ª fase, provamos como só a remoção total do tecido necrosado é a solução a empreender para a salvar
este dente.
|
Tome nota:
A cárie dentária é uma doença infecto-contagiosa. Por isso não espere pela dor, previna-se a si prevenindo os outros.
Consulte o seu dentista antes que outras complicações possam surgir.
|

Antes de sair repare nesta figura!
Dente cariado
órgãos afectados.
|
INÍCIO
|
|
ENDODONTIA
|
|
A desvitalização ou pulpectomia, é um acto odontológico praticado nos casos em que a polpa dentária ou o chamado nervo do dente se encontra num estado inflamatório irreversível, ou nos casos em que a polpa radicular já perdeu a sua vitalidade ,como vimos em cima na 3ª fase da cárie dentária.
|
No caso desta figura temos duas cáries, ambas comunicando com o nervo que, por sua vez, já originaram um grande abcesso.
De referir que, nesta fase existem casos de difícil recuperação devido às resistências bacterianas logo, a apicéctomia impõe-se para que seja removido todo o tecido infectado.
|
Ainda assim, o salvar um dente é sempre uma hipótese para evitar uma deficiência que, com a acumulação de extracções de peças dentárias, pode levar o paciente a um grande desconforto móbil mastigatório (dificuldade dolorosa em mastigar proveniente da zona do côndilo mandibular que, faz confundir o doente, queixando-se este, como se tivesse uma dor de ouvidos).
O paciente informado deve visitar o seu dentista periodicamente pois, o evitar deixar chegar qualquer que seja um dos seus dentes a este estado já é um grande passo que se dá na vigilância em ordem à conservação dos dentes e, concomitantemente da saúde em geral.
|
Estes casos, como o da figura anterior, não nos deixam outra opção para além da pulpectomia total (caso o paciente opte pela conservação do dente), até porque a coroa do dente ainda apresenta óptimas condições para ser restaurado e preparado para a sua recuperação mastigatória.
A nossa actividade clínica desde 1979 demonstra uma taxa de sucesso bastante elevada nos tratamentos endodônticos, pelo que a recomendamos sempre que a coroa nos ofereça condições de reabilitação através da simples restauração ou, através da preparação de coroas.
A técnica é complexa e morosa mas o dente é facilmente tratável.
Há que remover o conteúdo existente dentro dos canais e proceder-se ao seu alargamento conforme exemplificamos nas figuras que mostramos.
|

Desvitalização de um dente molar n.º 1.7 no maxilar superior.
|

Desvitalização de um dente molar n.º 4.6 no maxilar inferior
|
Para finalizar esta primeira consulta, um chumaço de algodão embebido em desinfectante (penso), é colocado no espaço da câmara pulpar para, em seguida, se fechar a cavidade com cimento provisório por um período de 10 a 15 dias.
Na 2ª sessão, se o dente já nos oferecer condições de obturação radicular, proceder-se-á então à sua conclusão obturando os canais.
A restauração final da coroa fica assim assegurada para a próxima consulta que, no mínimo, deverá ser 10 dias depois última intervenção.
INÍCIO
|
| |
HÁBITOS DE CHUCHAR USADOS PELAS CRIANÇAS
|
O hábito é o comportamento repetitivo de certos actos como é o caso da sucção da chupeta, com uma determinada finalidade (por exemplo, carência afectiva). Daí resultam alguns hábitos que ficam, como o de chupar no biberão, na chupeta ou no dedo.
|
Tanto o chupar no dedo como na chupeta ou no biberão, são factores que podem vir a interferir no desenvolvimento harmonioso da boca da criança.
|
As causas mais frequentes são as alterações a nível da boca, tais como: mordida aberta, mordida cruzada, inclinação dos dentes, diastemas (aberturas entre os dentes), alterações no padrão da deglutição etc.
Que se pode fazer para tentar prevenir essas alterações?
A criança até aos dois anos de idade encontra-se na chamada fase oral, fase em que a sua satisfação física se encontra fortemente centrada na cavidade bucal. Portanto, a sucção é um acto importantíssimo para o seu desenvolvimento primário. Salientamos ainda que, o uso da chupeta é necessário, ainda que essa necessidade seja maior numas crianças (devido à sucção insatisfatória na amamentação) e menor noutras. O importante é saber separar o trigo do joio isto é, saber acompanhar a criança no seu desenvolvimento de sucção, sem nunca deixar que o hábito se torne num vício e, antes que surjam alterações bucais. Por isso deixamos a nossa exortação: o hábito deve ser removido o quanto antes e, de forma gradativa, para se evitar o desequilíbrio psicológico e físico da criança.
|
Sempre que o hábito seja removido até aos dois anos de idade, estão a ser evitadas várias alterações tais como a mordida aberta e outras já descritas.
No caso desta foto, aos quatro anos de idade, esta criança já apresentava uma mordida aberta com evolução significativa e com deficiência expressiva de dicção .
Neste caso, a correcção ortodontica impõe-se para estabilização e posicionamento correcto das peças dentárias; até porque, os dentes definitivos quando surgirem aos 6 anos, já devem ter espaço para uma integração harmoniosa na arcada.
|
Crianças que já sofram de alterações na boca?
Sempre que existam alterações visíveis na boca da criança, o dentista é sempre a primeira pessoa mais indicada para orientar o caso, recomendar o que for mais aconselhado, e tratar o problema tanto quanto depender da sua acção profissional.
Também depende da sua acção num primeiro momento, falar com a criança explicando-lhe o porquê da remoção (da chupeta).
|
Como remover hábitos?
Os educadores da criança são os que de perto acompanham o seu desenvolvimento, devendo para isso ser criativos, reguladores da sua acção, compreensivos para motivar com criatividade positiva e amor.
|
Quanto ao hábito do biberão, não permita que a criança ande com ele para além do momento da mamada e, se o hábito já é obstinado, este deverá ser removido gradualmente usando água no leite, deixando-o (o leite) cada vez menos saboroso até que fique só água.
Afoto mostra como a permissão indiscriminada do uso do biberão pode afectar os dentes das crianças
|
No que diz respeito à chucha, devem ser tomadas as seguintes medidas desde o nascimento:
1– O bebé não deve ser acostumado a chupar na chucha 24 horas por dia mas unicamente quando está acordado.
2– Há medida que o bebé vai crescendo, apresentar-lhe a chucha somente em momentos de tensão.
3– Com o seu crescimento, evitar o hábito de usar duas chuchas e, evitar que a criança tenha a chucha presa na roupa à sua disposição.
4– Quando a criança quiser adormecer não hesite em apresentar-lhe a chucha para, no momento seguinte, quando esta já estiver a dormir, a retirar de novo.
Ao falarmos do hábito da sucção no dedo, estamos tratando dum assunto moroso, se este já for vicio. No entanto, já estamos em presença duma criança que sabe ouvir a nossa informação, os nossos conselhos carinhosos, e a nossa criatividade em ocupá-la com divertimentos onde as mãos possam ficar ocupadas.
O profissional de saúde oral (dentista), tem sempre um papel importante na orientação e remoção destes hábitos. Ele ajuda os pais e orienta-os sobre qual deverá ser a melhor estratégia a usar com a criança, para que se evitem chantagens, punições, ou repressões que só agravam a situação.
Tome nota que todas estas explicações médicas são importantes e eficazes na medida em que forem completadas com as atitudes responsáveis dos pais!
INÍCIO
|
A Halitose tem cura e controle
|
O mau hálito que se sente logo pela manhã é considerado de causa fisiológica. Isto acontece devido à leve hipoglicemia, o mesmo é dizer, à baixa taxa de glicose (açúcar) no sangue. Em sua substituição, o organismo produz os chamados corpos cetónicos para alimentarem o cérebro. Este composto químico bastante volátil, é o que mais afecta o chamado mau hálito matinal. Também a redução do fluxo salivar e ao aumento da flora bacteriana na boca, são causas que vão piorar a ocorrência da halitose.
|
Após a primeira refeição, pequeno-almoço, seguido da higiene da boca feita com fio dental e escova, sem esquecer que a língua também faz parte integrante desta higiene, a halitose matinal deverá desaparecer. Caso isso não aconteça, podemos considerar que a pessoa tem mau hálito e que este caso clínico precisa ser investigado e tratado.
A língua desta jovem é um exemplo de deficiente higiene bocal, pois só a ponta da sua língua não apresenta saburra.
|
Atenção:Há pessoas que têm mau hálito e desconhecem esse facto, pois já estão adaptadas ao seu próprio odor. Outras pessoas não têm mau hálito, mas acreditam tê-lo, é a chamada halitose psicogénica.
Para saber se tem mau hálito peça a um familiar ou a um amigo de confiança que lhe faça essa avaliação. Caso se identifique o problema ou caso se sinta constrangido a pedir a alguém que o avalie, procure o dentista para que este possa ajudá-lo no diagnóstico e no tratamento da halitose.
Principais causas de halitose
A origem da halitose deve ser investigada e localizada, para que se possa surpreender e identificar o elemento causador. A causa mais comum é a saburra, crosta esbranquiçada ou branco-amarelada que reveste a face superior da língua. Este material viscoso adere ao dorso da língua em maior proporção na região do terço posterior conforme ilustra a foto. Esta saburra equivale a uma porção de placa bacteriana instalada na língua, onde se acumulam e desenvolvem grandes quantidades de microrganismos (especialmente Candidas Albicans e Helicobacter pylori conforme estudos recentes.
http://www.ualg.pt/jornal/9/not8.htm
|
A causa primária da formação de saburra é a leve redução do fluxo salivar por um lado ou, por outro lado, o descuidado acto de uma perfeita higiene oral onde se inclui a escovagem da língua. Além da língua saburrosa, existem outros problemas bucais, tais como sangramentos gengivais, tártaro, acentuado conteúdo de placa bacteriana nos dentes, próteses dentárias removíveis com alguns anos de uso. Tudo isto são motivos capazes de gerar mau hálito de diversos graus que é preciso avaliar.
|
|
|
Paciente com prótese parcial removível em acrílico desde 1981 .
Em 2005, regressado da Suíça, compareceu no nosso consultório com queixas sobre mau hálito e horrível sabor na boca. Ao inspeccionarmos a língua, deparámo-nos com uma camada de saburra repugnante.
Optámos por efectuar uma primeira raspagem que, como se pode ver na foto da direita, a espátula transporta uma grande quantidade de gel saburrento deixando para trás um aspecto escamoso.
|
É bom lembrar que o mau hálito não é contagioso. Mas pode e deve ser bem cuidado. É muito comum observar cônjuges em que apenas um dos parceiros apresenta hálito desagradável, a ponto de incomodar o outro. Esta situação está sendo olhada por nós técnicos com muita atenção, dado o desconforto que sabemos provocar ao próximo.
As principais causas de halitose localizam-se dentro da boca mas, entre estas, outras causas de halitose se localizam fora da boca; citamos as amigdalites, as rinites, as sinusites e as bronquites como causas fisiológicas.
Citamos ainda outras causas em menor número e passageiras que são as de origem alimentar: salientamos a ingestão de alimentos como o alho, a cebola e vegetais mais aromáticos; também a prisão de ventre, por não permitir um trânsito regular da digestão, pode ser causa de halitose.
No diabético, o hálito tem um odor particularmente intenso com características idênticas às de maçã madura.
Há, no entanto, entre a população, um conceito erróneo sobre o mau hálito quando esta afirma ser este de origem estomacal.
O estômago praticamente não produz halitose para além da matinal, para além da dos alimentos aromáticos ou, a não ser na hora do arroto.
Se aprofundarmos um pouco mais este fenómeno podemos concluir que, a formação de saburra é origem para a proliferação de microrganismos patogénicos que, por sua vez, são causa endógena de periodontites, amigdalites, doenças pulmonares, transtornos gastrointestinais e outros.
Saber os motivos reais do hálito inadequado e como evita-lo é também uma prática em busca da qualidade de vida pretendida.
INÍCIO
|
O R T O D O N T I A
|
Orto quer dizer endireitar, acertar, posicionar.
Odontia exprime a ideia de dentes. Agrupando as duas palavras adquirimos exactamente o que se pretende obter que é: a correcção da mordida através do posicionamento correcto dos dentes.
Esta correcção só se entende desde que existam dentes mal posicionados na arcada alveolar. Muitos pais e educadores já vão adquirindo sensibilidade para este fenómeno tão necessário quanto indispensável para uma perfeita articulação entre maxilar superior e o maxilar inferior.
De salientar que essa preocupação ou empenho, precisa sempre de acompanhamento odontológico; pois só o dentista sabe examinar com fidúcia e aconselhar com rectidão as necessidades e o programa a adoptar.
As duas grandes razões porque se usam aparelhos nos dentes são: razão estética e razão funcional.
Há dentes desalinhados que, não fora a estética, e tudo podia continuar como dantes. Mas a beleza de um sorriso harmonioso é o primeiro cartão de visita que se oferece ao próximo. Já as razões funcionais podem causar vários problemas desde os simples aos complexos; desde os defeitos na face, passando pelas dores nas articulações mandibulares as quais, um dia irão afectar os ouvidos e a cabaça. Tomar comprimidos (com disfunções mastigatórias) porque dói o ouvido ou a cabeça é iludir-se, é ignorar uma situação séria que requer intervenção médica da especialidade dentária.
A ortodontia dentro da Odontologia, ocupa-se da prevenção e correcção dos defeitos sobre a verdadeira posição dos dentes na boca, tais como prognatismo, mordida aberta, mordida cruzada, apinhamento de dentes e outros.
Os aparelhos não são só para crianças. As imperfeições na posição dos dentes ainda estão afectando uma grande porção de adultos que, mal esclarecidos uns e, reticentes outros, assim vão vivendo à margem da estética e da orto (correcta posição (dentária)).
|
Esta foto mostra como ficam apinhados os dentes por falta de espaço, ao mesmo tempo que podemos ver uma protrusão inferior com dentes cruzados.
|
 |
Boca da foto anterior após colocação do aparelho
|
Este aparelho removível, vai criar todos os espaços necessário para a correcta posição dos dentes anteriores.
|
O arco vestibular (como as setas indicam) mostra a diferença de posicionamento das peças dentárias.
|
|

Sete meses depois obtivemos esta foto demonstrativa dos magníficos resultados alcançados.
Mas o acompanhamento da criança nesta idade continua até à erupção dos restantes dentes definitivos, 14 a 15 anos.
|
|
Para evitar estes incómodos em idades mais avançadas, o meu conselho é o de que todas as crianças devem ser acompanhadas pelo dentista, principalmente na muda dos dentes entre os 8 e os 12 anos. Não deixar para amanhã o que se pode fazer hoje, é um provérbio válido na medida em que, na idade adulta, alguns casos mais complexos já precisam de cirurgia ortognática.
Aparelhos removíveis
Este tipo de aparelho só deverá ser retirado da boca para comer, para o lavar, para ir ao banho na piscina ou na praia ou, quando é exigida uma oralidade sem dissonâncias.
A finalidade deste aparelho é o de promover a movimentação dentária em ordem à orto (correcto posicionamento dos dentes) no sentido ântero-posterior, horizontal e vertical. Foram estes os aparelhos de eleição durante cerca de duzentos anos, e que ainda continuam com a sua finalidade bem definida dentro da ortodontia.
Aparelhos fixos
São os aparelhos que uma vez fixados aos dentes, só o dentista os deverá retirar com as técnicas indicadas. Os arcos metálicos são sujeitos a tensões de acordo com o posicionamento pretendido até nivelar, alinhar ou ocluir os dentes. Neste tipo de aparelhos fixos, os elásticos são o meio auxiliar de correcção mais usado.
Contenção
Tanto nos aparelhos fixos como nos removíveis, existe sempre um período chamado de contenção isto é: após correcção do posicionamento dentário, é necessário continuar com o aparelho por mais algum tempo até que se verifique uma calcificação alveolar à volta do dente. Será esta calcificação a responsável, futuramente, para que os dentes se mantenham na posição em que os deixámos.
Também há casos em que é necessário colocar um aparelho de contenção, ainda nos dentes de leite, com a finalidade de impedir desvios, aquando do rompimento dos dentes definitivos.
Higiene
Mais do que nunca a higiene da boca é imprescindível quando se está a fazer tratamento ortodôntico. Se o aparelho é fixo, este serve de suporte para que se acumulem restos de alimentos. Se o aparelho é removível, a base de fixação da placa bacteriana é idêntica, excluindo aqui a facilidade de retirar o aparelho e lavá-lo fora da boca.
Não esquecer que nós programamos sempre as correcções e, aconselhamos todos os procedimentos intrínsecos ao paciente, para um bom uso e aproveitamento do resultado pretendido. Pois só com a colaboração activa do perseverante se consegue este aperfeiçoamento, o qual nos vai levar à elegância e ao conforto musculo-facial.
INÍCIO
|
PIERCINGS NA CAVIDADE ORAL
|
O piercing intra-oral e a sua incrementação na sociedade jovem nestes últimos anos, continua adquirindo uma grande popularidade nesta faixa etária entre os 13 e os 25 anos de idade.
|
 A colocação de piercing em vários pontos do corpo é uma prática que remonta à antiguidade.
Actualmente essa prática evolui-o desde a colocação de piercing em zonas exteriores do corpo, zonas interiores como é o caso da língua, e em zonas íntimas como é o caso do clítoris e do pénis.
|
É uma arte preferida pela camada jovem, entendida como adorno, enfeite, que chama a atenção pelo aparato. Ninguém usa piercing para sua satisfação pessoal mas sempre para captar a atenção de outrem. O mal não está em quem sente necessidade de se sentir estimulado pela observação feita aos seus adornos, o prejuízo só existe na moral de quem se deixa levar pela sócionomia (eu não queria fazer mas já que insistes); a auto-estima nestes casos já depende do como nos olham no nosso grupo de amigos, independentemente das observações feitas pelos nossos pais e pessoas mais sensatas pela idoneidade. É certo que vivemos de influências familiares e sociais, mas também é certo que a nossa personalidade é que deve contar para nós; é ela que nos faz ser o que somos a partir da maneira como pensamos e agimos.
INÍCIO
|
Clinicamente falando
Na nossa clínica diária observamos muitas formas de traumas nos tecidos da cavidade oral provocados pelo uso do piercing.
1 – Entre as 24 horas e a primeira semana após a perfuração dos tecidos da cavidade oral, caso da língua, e a colocação do piercing, muitos são os casos que nos aparecem com dor, inflamação, aumento do fluxo salivar e um ou outro caso com pequenas infecções. A gravidade não é mais intensa graças à produção de saliva que transporta consigo uma grande quantidade de enzimas reparadoras das feridas.
2 – Existem casos confirmados de tumores localizados no dorso lingual contíguo à perfuração feita para a colocação do piercing. Tanto o orifício efectuado como o metal do piercing em contacto com os tecidos moles podem ser causa para o aparecimento destes acidentes.
3 – Para quem usa piercing na língua ou noutro local da cavidade oral, é muito importante a higiene efectuada após cada refeição. Retirar o piercing e lavar os dentes, as gengivas, a língua e, neste caso, o piercing para poder voltar a colocá-lo com mais segurança higiénica.
4 – Para além de outros microrganismos que se possam desenvolver na zona dos tecidos perfurados, a Cândida Albicans é um dos agentes infecciosos prejudiciais à boa saúde que, precisa ser impedido de se hospedar nas feridas.
5 – Dentro das consequências negativas destas utilizações encontramos a dor, a inflamação, o desconforto na deglutinação e, tumores que na maioria dos casos poderiam ser evitados.
|
6– Língua seccionada.
As atitudes masoquistas descritas na imagem, são a prova de que a medicina tem que ser preventiva, alicerçada numa forte componente educacional desde os primeiros passos da criança.
|
|
Selantes de fissuras dentárias
|
Os selantes tal como o seu nome indica, são substâncias resinosas que surgiram com a finalidade de selar fissuras nos dentes. Estas fissuras são as zonas de menor coalescência do esmalte dental ou seja, são as fossulas onde a calcificação do esmalte ainda se encontra em formação.
Desde os anos 80 que estas resinas líquidas têm vindo a ser aplicadas essencialmente nos dentes molares e prémolares com muitos bons resultados.
Porquê selar os dentes?
Porque os dentes quando nascem, geneticamente surgem com toda a sua anatomia em formação. Se está em formação é porque ainda existem muitas estruturas a solidificar a fim de adquirirem o seu estado adulto estrutural. É exactamente nesta fase que, com o dente tenrinho devido à sua frágil estrutura cálcica, que os ácidos mais facilmente desmineralizam a pouca densidade de cálcio ali existente, essencialmente nessas zonas de fissuras da coroa onde o dente ainda está a solidificar, a criar densidade, a fechar as fossulas.
Exemplo de fissuras em molar e pré.molar  |
Molar depois de selado
|
O selante apresenta-se de forma resinosa fluida com a finalidade de penetrar bem nessas microporosidades ao mesmo tempo que, depois de fotopolimerizado, adquire uma estrutura sólida resistente às forças da mastigação.
O selante deverá permanecer em plena efectividade durante cinco anos em condições normais de higiene oral. Temos casos em que 15 anos depois da aplicação ainda existem reminiscências de selante na zona das fissuras. Também há casos em que já temos aplicado selante anualmente devido à pouca higiene oral e ás carências nutritivas provenientes do desequilíbrio alimentar.
|
Mesmo com uma boa higiene oral será necessário aplicar selantes?
O óptimo sempre foi inimigo do bom! Por muito boa higiene que se faça, nunca se consegue com a escova remover todo o conteúdo de restos alimentares alojados nessas ditas fossulas. As cerdas da escova em muitos casos não penetram nas fissuras! Mas os açucares e as bactérias sim, e os selantes também depois de se lavar o dente com água e ar sob
pressão. Selado o dente, ficamos com uma superfície lisa onde se torna fácil lavar e remover todo o conteúdo de açúcares, amidos, bactérias e ácidos. De salientar ainda que, o flúor tópico das pastas, dos elixires, bem como as gotas ou os comprimidos que se vão desfazendo debaixo da língua, e que são um belíssimo contributo para a mineralização dos dentes, não consegue penetrar nas fissuras devido ao entupimento destas.
Quando aplicar selantes nos dentes?
Sempre! Quer isto dizer que o selante não está limitado no tempo nem na idade. Se acompanharmos o crescimento da criança verificamos essa primeira necessidade quando nascem os molares decíduos (dentes de leite). Até aos 4 anos a dentição decídua está completamente irrompida. É nesta fase que devem ser executados os primeiros selamentos ao mesmo tempo que se contribui para acostumar a criança a ir ao dentista, ajudando assim a ambientá-la a fazer tratamentos sem dor.
Entre os 6 e os 7 anos irrompem os primeiros quatro molares definitivos que deverão ser selados quanto antes; aos 12 anos surgem os outros quatro segundos molares um pouco depois de terem surgido os prémolares que vieram substituir os molares decíduos.
Com estas visitas ao dentista, já se torna fácil programar nova consulta de observação e controlo efectivo. E a partir daqui, ainda se pode voltar a fazer novos selamentos sempre que a necessidade o exigir.
O objectivo de todas estas consultas é o da finalidade dos selantes: proteger e prevenir os dentes da doença da cárie.
INÍCIO
|
|